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A Republica

A história e o conceito das repúblicas

As suas origens remontam ao século XIV, em Coimbra, berço da academia de Portugal e do Brasil, quando D. Dinis, por diploma régio de 1309, promoveu a construção de casas na zona de Almedina e que deveriam ser habitadas por estudantes, mediante pagamento de um aluguel, cujo montante seria fixado por uma comissão, expressamente nomeada pelo Rei, constituída por estudantes e por "homens bons" da cidade. É assim que a partir de um tipo de alojamento comum, permitindo minimizar os encargos financeiros, viriam a surgir, por evolução, as atuais Repúblicas Universitárias.

 

Ainda hoje as "casas" caracterizam-se pela exaltação de valores universais que unem o passado ao presente: a vida em comunidade, a soberania e a democraticidade. As decisões são geralmente tomadas por unanimidade e todos os membros responsabilizados na gestão da "casa". Esse conceito de unanimidade é aplicado diariamente dentro da Gato Preto, pois a partir do momento onde se passa a conviver nessa sociedade, as decisões não se baseiam mais apenas nas opiniões individuais, mas precisam se tornar decisões da república e para alcançar esse ponto, disciplina, hierarquia, comprometimento e grandes debates são necessários.

 

Segundo a lei portuguesa feita para repúblicas de estudantes de Coimbra, desde que com a devida aprovação do reitor da universidade, as repúblicas e os solares de estudantes de Coimbra constituídos de harmonia com a praxe acadêmica consideram-se associações sem personalidade jurídica. No caso da República Gato Preto, segue da mesma forma, porém a Associação República Gato Preto desde 1997 passa a apoiar de forma oficial o sistema gatopretense, incluindo a própria República.

 

Depois de aceite por votação o novo residente fica algum tempo à experiência, durante o qual tem o título de Plebeu, Candidato, ou outras consoante a Casa, sendo mais tarde submetido a mais uma votação podendo aí ser aceite como Repúblico, ou seja residente permanente. Fatos como esses são aplicados até os dias de hoje, onde o bixo, ou ingressante, passa um período considerado como estágio, onde passa por diversas situações para adaptação ao conceitos gatopretenses, entende o que é viver em sociedade, a hierarquia, a disciplina que a vida em república demanda. Após esse período, por decisões unanimes entre os mourantes, o bixo pode ser aceito ou não para ser tornar um novo gatopretense Esse conceito e forma de inclusão de novos gatopretenses é fundamental para que o conceito da república se mantenha ao longo dos anos, sendo passado de doutores, ou veteranos, para bixos, ou ingressantes desde 1964.


Quanto a gestão interna de cada república, esta é feita pelos Repúblicos em questão, porque são todos eles iguais. As Repúblicas abandonam a idéia de hierarquização, ao contrário da praxe, em prol de um pé de igualdade entre todos os residentes. Desta forma acontece uma verdadeira vida comunitária, num verdadeiro espaço de liberdade. Na Gato Preto o conceito de hierarquia ao contrário das repúblicas clássicas, é extremamente valorizado, baseando-se no tempo de vivência de cada um. Isso traz um compartilhamento de experiências, continuidade e ordem dentro da sociedade, sendo esse um dos seis pilares gatopretenses. Porém, o respeito como indivíduo é sempre mantido.

 

A quando a formação da república é decidido se a república aceita qualquer tipo de candidaturas ou apenas alunos de uma universidade ou faculdade. Existem repúblicas que dão preferência a homens, mulheres ou pessoas deslocadas, contudo não sendo isto obrigatório para a admissão. Hoje a República Gato Preto é formada apenas por alunos da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, sediada em Piracicaba, São Paulo. No entanto, alunos de outras universidades da cidade e até outros estudantes, já tiveram a oportunidade de participar desse ambiente e se tornarem gatopretense.

 

Uma república destaca-se das outras casas para estudantes pelo seu objetivo de, além do estudar para disciplinas procura também ensinar um “saber viver”, “saber fazer” e “saber dizer” utilizando a vida boêmia, convívios e o, principal, compartilhamento de experiências, para despertar o debate e reflexão por temas mais complexos. Esse conceito de “ESCOLA DA VIDA” que é a República,é a parte considerada como desenvolvimento do indivíduo, onde aprende-se, aprimora-se e se reforça os conceitos de ÉTICA, RESPEITO, COMPROMETIMENTO, HIERARQUIA, FAMILIA e AMIZADE, formando além de excelentes profissionais e preparados para o ingresso no mercado de trabalho, excelentes pessoas e pais de família.

 

A notação de Plebeu e Repúblico para os residentes é uma das grandes tradições que vem passando ao longo dos anos assim como a de “um ano vale por 100” que leva a uma celebração "à porta aberta" de um centenário todos os anos. Cada república também vai passando ao longo dos anos um hino e símbolos aos mais novos e por vezes um grito que mostram a identidade dessa casa.

 

Em Coimbra, a maior parte das Repúblicas estão agrupadas no Conselho de Repúblicas (C. R.), que se reúne a pedido de qualquer uma das casas que o compõe e toma as suas decisões por unanimidade. Essa forma de representatividade é compartilhada pela República Gato Preto, uma das componentes do Conselho de Repúblicas existente em Piracicaba.

 

No Brasil, embora se possa argumentar que as repúblicas de estudantes no Brasil remontam às faculdades fundadas durante a regência de Dom João VI, como a Faculdade de Medicina em 1808, foi apenas durante o reinado de Dom Pedro II, com a fundação da Escola de Minas em Ouro Preto em 1876 pelo cientista francês Claude Henri Gorceix, que se começou a formar em Ouro Preto uma cidade universitária, com tamanho e características apropriadas, capaz de ver florescer as repúblicas de estudantes e onde estas se tornaram o centro da vida estudantil, congregando tradição, história e costumes próprios.

 

Ao redor da Escola de Minas foram se formando Repúblicas de estudantes, nos mesmos moldes das repúblicas de Coimbra, sendo que as casas eram de propriedade da Escola a partir da mudança da transferência da capital para Belo Horizonte em 1890, e cedidas aos estudantes que pagam um pequeno aluguel.

 

Existem outras localidades como grandes núcleos de tradicionais repúblicas universitárias, como as da centenárias Luiz de Queiroz em Piracicaba, onde encontram-se diversas repúblicas da década de 1960, 1950 e até da década de 1920. A República Gato preto data de 1964, para saber a histórica dessa república, veja o texto REPÚBLICA.

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